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Texte de Casper Libero - UFE Brésil

jeudi 29 janvier 2009, par UFE BRESIL-SAO PAULO


Discours prononcer par M. Carlos Francisco BANDEIRA LINS, Président du Conseil des curateurs de la Fondation Casper Líbero le 31/12/2008, à l’occasion du Marathon de la Saint Sylvestre.


A poucas horas do início do Ano da França no Brasil, para a festa com que a Fundação Cásper Líbero habitualmente acolhe autoridades que venham acompanhar a Corrida de São Silvestre, convidamos membros ilustres da comunidade francesa em São Paulo, a fim de manifestarmos nosso apreço pela França e por seus naturais.

Os laços da França com o Brasil, por um paradoxo para qual ninguém até agora atentou, tiveram início mais de quatrocentos anos antes da chegada de Cabral a nossas praias.

Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, era filho, neto e bisneto de nobres da Borgonha, trineto e tetraneto de reis da França. Sucessores dele, com os mesmo ancestrais franceses, estimularam os conhecimentos náuticos, desenvolveram a indústria naval, esquadrinharam o mundo com suas caravelas, na epopéia que inspirou Camões. E dos mais antigos povoados que aqui aportaram para ficar, alguns tinham nas veias o mesmo sangue capetíngio, robertino e carolíngio, hoje presente em milhões de brasileiros.

Mas não é genético o vínculo mais importante entre o Brasil e a França.

Disse alguém, em momento inspirado, que todo homem tem duas pátrias : a sua e a França. Tal frase, que, na voz de Josephine Baker, correu o mundo, expressa um fato que só encontra paralelo na Grécia Antiga : não é pela força intimidatória das armas que a França se impõe ao mundo, mas pela sedução das ideias – muitas vezes contraditórias e até antagônicas – que ali têm sido concebidas por franceses e não franceses, porque, portas abertas à inteligência, a França, desde a Idade Média, tem acolhido pensadores de todos os quadrantes e de todas as tendências, como se o solo francês, propício a tantas culturas, fosse também o mais adequado à Cultura, ao pensamento, à reflexão.

Dessas elocubrações que muitas vezes levam à ação política brotaram ideais que vivamente se impregnaram mundo afora : liberté, égalité, fraternité.

Por eles tinha tão fervorosa admiração o patrono desta Casa, jornalista Cásper Líbero, que, ao aceitar o desafio de comprar o jornal “A Gazeta” em 1918, quis que, o ato de transferência se fizesse no dia 14 de julho, para deixar claro que liberdade, igualdade e fraternidade seriam os princípios basilares da rede de comunicação que ali se iniciava e da escola de jornalismo que viria a ser criada.

Outra das ideias gestadas na França que ganhou mundo e empolgou Cásper Líbero partiu de Pierre de Coubertin, que resgatou de um limbo de dois mil anos as Olimpíadas, conferindo aos esportes a dignidade que tinham na Idade Antiga e tornando – os instrumento de confraternização dos povos. Precisamente por isso, em 1924, Cásper Líbero (que viria a ser o criador de um dos mais antigos jornais de esportes do mundo) foi a Paris acompanhar os Jogos Olímpicos, ocasião em que, em meio ao transcorrer das provas, assistiu a uma corrida noturna, feita à luz de tochas.

Veio daí, com esse d.n.a francês, a concepção da Corrida de São Silvestre, que, no dia da passagem do ano, desde 1925 se realiza, sem uma interrupção sequer (graça e benção que nem as Olimpíadas conseguiram ter). Não pararam nisso as relações de nosso patrono com a França. Por duas vezes, em 1930 e 1932, Cásper Líbero, por apego a seus compromissos com a liberdade e a democracia, teve de exilar-se. E seu destino não foi outro senão a França, refúgio generoso dos que, por motivos políticos, caem em desgraça nos seus países de origem, como ocorreu com tantos brasileiros, desde os tempos da Colônia, passando pelo Império e pelo imperador destronado, até os tempos difíceis da ditadura que por vinte anos aqui sufocou o regime democrático.

Por tudo isso, e por tanta coisa mais na Filosofia, nas Letras, nas Ciências, nas Artes e em múltiplos setores da vida cotidiana, a França e os franceses habitam no coração dos brasileiros e, em especial, no de todos os que trabalham nesta Casa de Cásper Líbero, que bradam em coro

“ Vive la France, viva a França, viva o Brasil !”

Muito Obrigado.